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Como um Rei Francês destruiu com nossos pés?

Salto alto, qual sua origem?

O salto alto é na verdade uma invenção bem antiga, inicialmente utilizada pelos persas no século 10, para que os calçados se encaixassem melhor na sela, e tal utilidade se manteve por toda a idade média. O cavaleiro podia ficar em pé, seus calçados ficavam presos e poderia lhe aferir precisão ao atirar uma flecha por exemplo.

Guerra ou moda?

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Mas isso era um utensílio de guerra, e hoje em dia é um item de luxo, como foi que o salto alto saiu dos campos de guerra e entrou nas passarelas? Bendito (ou maldito na opinião dos fisioterapeutas) Rei Louis XIV, que com apenas 1,64cm de altura, se sentia destoante, e decidiu que iria adicionar ao seu vestuário sapatos de salto, para que fingisse ser mais alto e então tentar impor mais respeito de sua corte.

Graças ao ímpeto de um Rei que não acreditava que sua altura lhe garantia respeito, surgiu uma revolução nos calçados, que iniciou no século 17 e vive até hoje nos nossos pés, como vítimas.

Rei Louis XIV

É interessante fazer a relação de que os soldados encontravam um benefício nesse salto para lhe dar segurança andando a cavalo. Um item de necessidade foi tirado de seu local adequado e transformado em um item de luxo, nada estranho já que hoje em dia as botas de cavalaria são usadas por mulheres que nunca subiram em cavalos. Existe na moda um desejo de tornar as ferramentas de utilidade em certos contextos, em acessórios de luxo e de estética.

O problema é que quando algo é feito com um objetivo em mente, ao modificar seu foco, obviamente sua utilidade vira nula. A própria bota de cavalaria exemplifica isso, sendo um calçado feito para não caminhar, e sim para ficar sentado em um cavalo protegendo suas coxas do roçar no animal.

Da mesma maneira o salto alto tem uma origem de útil para inútil, e deveras lesiva também.

Porque o salto é tão odiado na saúde?

O pé humano é oriundo de um processo evolutivo de milhões de anos em cima da capacidade de adaptação ao ambiente, com um ser capaz de escalar árvores, saltar e correr longas distâncias. Um pé apresentando flexibilidade e resistência elástica, dependendo de sua força muscular e equilíbrio.

O detalhe quase mágico do equilíbrio, é que sutilmente ele pode ser destruído e o salto alto muda esse equilíbrio, diminuindo a liberdade do pé em reagir ao solo e se adaptar ao terreno, obrigando o movimento da pessoa a ser rígido e mais instável, afinal de contas, ninguém gostaria de correr atrás do ônibus de salto alto. É perceptível o quanto essa alteração é lesiva.

Quanto salto é salto demais?

Essa discussão já é mais recente e ainda apresenta muita controvérsia, mas o que todos podem concordar é que um pé que vive em uma posição específica sem mobilidade completa, irá perder seus movimentos que não utiliza. E a grande maioria dos calçados tem salto hoje em dia, principalmente tênis de corrida, que apresentam em torno de 2 ou 4cm de diferença de altura com a ponta dos tênis, lhe tirando da posição neutra e modificando o comprimento natural de repouso dos tendões.

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Se o pé é naturalmente sem salto, é suposição lógica que ao colocar salto estou modificando sua natureza, e se não lhe permito um tempo na posição natural, irá perdê-la.

Por isso que tantos tratamentos para Fascite plantar e Neuromas de Morton, que acabam trabalhando o pé e esquecem de olhar para os calçados acabam não apresentando soluções duradouras.

Vamos tocar fora todos os calçados então?

Embora seja visível que além do salto, os calçados convencionais apresentem diversas alterações negativas para os pés. Soluções radicais sempre apresentam problemas de implementação, mas não só isso, o apelo estético da população por calçados assim não é uma característica que pode ser mudada de um dia para o outro. Mas, podemos sim aplicar mudanças positivas no nosso dia a dia que irão mudar a relação de nossos pés com nossas dores e saúde, por exemplo passar mais tempo descalços, procurar sapatos mais maleáveis e de sola baixa, e por mais que o salto não vá sair da sua rotina, entenda que o pé descalço deveria fazer parte dela também, tanto quanto, ou até mais!

Assinatura William Osterkamp Reabilitando Limites

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O corpo humano não se acostuma em ficar parado. Independentemente de sua limitação, nosso corpo é feito para se movimentar. Tornar isso possível é o trabalho da Osterkamp.

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