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Os exames de coluna, e a mudança radical de pensamento

Conforme o tempo passa, nosso corpo demonstra sinais de uso além dos processos naturais do envelhecimento. Apresentamos alterações estruturais e hormonais associadas à mudança no metabolismo, desaceleração de estímulos neurológicos, redução de níveis hormonais, alterações na estrutura de nossa coluna e seus discos vertebrais, os tecidos perdem elasticidade e hidratação, e culturalmente associamos muito do envelhecimento à um eventual perda de movimentos da coluna, como se a rigidez da mesma fosse uma resposta natural. Porque afinal a coluna parece ser tão importante?

A coluna e sua importância

A coluna é o eixo central do corpo, que se conecta aos membros como central de movimento e ramificação dos nervos que levam os estímulos para as diversas extremidades do corpo. É de compreender a importância que se dá a coluna, e os tabus que ainda existem com ela, afinal, parece ser uma norma social de diversas sociedades ocidentais que o movimento da coluna deve ser limitado ou até mesmo em certos contextos proibido, visões de jamais dobrar a coluna para juntar algo do chão estão cada vez mais perto de caírem por terra, embora muitas visões ainda vão precisar de mais pesquisas para podermos gerar um convencimento maior da população geral.

E como andam as mudanças nesta área?

Existe um pensamento que já possui embasamento no campo científico faz alguns anos, que ainda não se tornou uma realidade geral, a coluna também envelhece, e embora essa frase pareça lógica ou até mesmo óbvia, quando se refere ao envelhecimento da coluna, isso vai além de alterações ósseas, mas sim inclusive alterações de discos, quer dizer, mudanças na estrutura dos discos, com redução dos espaços, desidratações, protusões e até mesmo hérnias são consequências naturais do envelhecimento humano.

Ao ler isso, é possível que muitos fiquem receosos, pois ao ler o que uma coluna pode ter com o envelhecimento, muitos começam a pensar:

Então conforme eu envelhecer, terei dor de coluna?

Pois então, o que as pesquisas já encontram a anos, e que estão se tornando parte do conhecimento mais amplo sobre a coluna, é que não existe uma relação direta entre essas alterações na coluna e ter dores na coluna. E em diversos grupos de idades diversas é possível encontrar alterações nos exames mesmo que as pessoas não tenham nenhum sintoma.

Quando os cientistas decidem testar se um achado em um exame tem relação com algum sintoma o que eles fazem é chamar diversas pessoas que não tem queixas, nesse caso pessoas que relatam que não tem nenhuma dor na coluna, e passam então por exame de tomografia ou ressonância magnética para averiguar se mesmo sem sintomas, se as colunas se apresentam sem nenhuma alteração, e o que diversas pesquisas já mostram é que existe sim uma incidência de alterações na coluna em pessoas que não apresentam sintomas, e que essa relação é mais frequente com idades maiores. Isso significa que não é porque você tem dor na coluna, que seu exame apresentará coisas assustadoras, e pelo contrário não quer dizer que se seu exame se apresentar bem alterado signifique que você tem dor sim.

Cada vez menos cirurgias de coluna!

Outros dados que concordam com essa visão que as pesquisas mostram, vem do fato de que mundialmente as taxas de cirurgia de coluna estão caindo, pois tratamentos alternativos estão sendo buscados e estamos comprovando mais e mais que o melhor foco de tratamento para uma coluna com dor vem da ideia de movimento saudável e completo, ao contrário da cirurgia que trata a vértebra com uma vilã e a bloqueia com parafusos, para não se mover.

O que essas descobertas estão nos ensinando no tratamento é que em primeiro, não existe um corpo perfeito, conforme vivemos e utilizamos nosso corpo, iremos deixar marcas nele, certas alterações que podem mudar alguma estrutura, só que isso é normal, e perfeitamente possível de acontecer sem nos machucar ou doer.

Além disso muda a visão de que se minha coluna apresenta um exame ruim, que eu tenha que tomar alguma atitude diferente, na verdade se a pessoa já apresenta uma vida ativa, com exercícios e se mantem saudável e sem dores, não importa o que o exame apresenta, é possível se manter bem sem modificar sua rotina.

Mesmo com hérnia posso não sentir dor?

Pesquisas que informam tal visão já tem mais de 10 anos, e conforme o tempo passa, mais e mais pesquisas são feitas que concordam e reforçam essa visão, inclusive pesquisas que estão mostrando a cada vez menor relevância das cirurgias de coluna para fixação de vértebras.

Isso não significa que ter uma hérnia não cause dor, mas quer dizer que mesmo com uma hérnia é possível sim não ter dor nenhuma, e que devemos antes de qualquer coisa aprender a prestar atenção em nosso corpo, reconhecer o que pode estar errado, e o que pode estar causando problemas para mim.

Diversas rotinas diárias são mais responsáveis pelos sintomas do que o que muitos exames possam dizer, embora nossa visão de sociedade agora trate como normal ficar horas sentado por dia, o corpo não tem essa função inicialmente, e não se adapta bem à muitas horas de inatividade física.

Fato, faça atividades regularmente.

Então, antes de pensar em abandonar atividades saudáveis por uma crise de dor que apresentou um exame assustador, o que podemos pensar em mudar antes disso?

Reduzir o tempo parado, diminuir o tempo sentado, repensar meus calçados  e minhas roupas, afinal viemos de uma origem de movimento, tudo aquilo que nos mantiver parados ou restritos ou com limitações irá com o tempo causar um impacto negativo no corpo.

Um envelhecimento saudável é possível, uma coluna com dor não é sintoma de idade, é sintomas de hábitos de vida ou sobrecargas incompatíveis com seu corpo, e quanto antes forem analisados e mudados, mais facilmente poderemos ter uma redução de sintomas.

Assinatura William Osterkamp Reabilitando Limites

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O corpo humano não se acostuma em ficar parado. Independentemente de sua limitação, nosso corpo é feito para se movimentar. Tornar isso possível é o trabalho da Osterkamp.

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