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Movimento e porquê o mínimo não é o bastante

As principais causas de morte no mundo são doenças cardíacas e circulatórias, associadas à hábitos de vida e alimentação, significa que as pessoas vivem suas vidas de uma maneira que as leva à uma morte mais precoce.

Ou as pessoas não sabem que tais hábitos são fatais, ou as pessoas não se importam, e a verdade parece estar no meio desses extremos, as pessoas não tem um conhecimento do quanto essas escolhas podem influenciar suas vidas, e talvez por isso não deem o valor necessário para tal fator.

Essa introdução poderia ser utilizada e repetida para quase qualquer condição de saúde na história humana, o quadro de saúde sempre terá como grande preditor de sucesso, o conhecimento do indivíduo e, como um todo, o conhecimento da sociedade.

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O quão importante é o exercício?

Dentro dessa esfera de doença e morte e desconhecimento, onde entra a ideia de exercício e movimento? O quanto o exercício é relevante nesse paradigma de doença e sofrimento?

Temos que pensar que do ponto de vista evolutivo, o ser humano não é nada além de um animal, dotado de capacidades físicas que como base para sua criatividade foram importantíssimas na suplantação de outras espécies, pois o ser humano como animal é capaz de impressionantes feitos físicos, sendo um grande corredor, nadador e escalador entre outras habilidades, e foram tais habilidades físicas que foram utilizadas por milhares de anos que deram o início da superioridade humana, trazendo a importância da força e resistência física, que para tanto precisavam de uma estruturação em suas capacidades cardíaca e articular.

O ser humano da “época das cavernas” (termo que faz cada vez menos sentido afinal de contas o ser humano nômade vivia muito mais em movimento do que em algum lugar único parado,  como uma caverna) utilizava seu corpo exigindo mais de sua força física e capacidade aeróbica, que associados à uma dieta mais natural garantiam uma queda absurda na probabilidade de eventos cardíacos e isquêmicos. Todo o sistema circulatório é dependente de um bom funcionamento da máquina cardíaca, de uma alimentação que além de não sobrecarregar o sistema não estimule a inflamação e consequentemente garantindo por um maior tempo uma circulação sanguínea eficiente e livre de coagulações e eventuais acidentes isquêmicos ou hemorrágicos.

Então a importância do exercício é simples, nos dá força, nos deixa em movimento, nos reduz o peso, melhora nossa circulação sanguínea e por isso nos garante mais vida, mais capacidade de fazer nossas atividades, menor risco ao utilizar nosso corpo, e além disso uma vida mais longa, reduzindo a potencialidade das principais causas de morte no mundo.

Mas quanto exercício deveria ser feito?

O mínimo é o bastante?

Se formos procurar a orientação da Associação Cardíaca Americana, eles indicam que no mínimo 150 minutos por semana (30 por dia, 5x/semana) de atividade física moderada é o suficiente para reduzir riscos de eventos cardíacos. Significa que com esse período teríamos o mínimo de melhora, porém apenas olhando o coração, que apesar de sua grande importância, não é a única variável importante do corpo humano.

Com mais e mais frequência o ser humano atual se encontra trabalhando mais e movendo-se menos, com sua fonte de renda atrelada à um trabalho intelectual e pouco físico, tornando nossos cérebros em máquinas especializadas, e nossos corpos em máquinas enferrujadas.

Embora existam essas determinações de diversos consensos médicos de respeito sobre o mínimo que o corpo deve fazer para a saúde do coração, dos ossos, da circulação, não se sabe o quanto devemos nos mover para que consigamos manter essa mobilidade ao longo dos anos.

Porém é evidente pelas diversas epidemias de dor lombar mundo afora (sempre em grande conexão com jornadas de trabalho de longas horas sentado) que por mais que o mínimo cardíaco possa estar sendo atingido, o mínimo de movimento não está. Vivemos em uma sociedade doente, que tem dificuldade em se locomover e traça seu itinerário calculando os assentos no trajeto.

O mínimo simplesmente não é bom o bastante para que tenhamos uma vida mais saudável.

Se eu não preveni, posso remediar?

O que diversos entusiastas do movimento pelo mundo inteiro conseguiram nos provar, tempo e tempo novamente, é que a idade não diminui a mobilidade e nem obriga as pessoas a ficarem presas em cadeiras de roda ou acamadas, o que causa isso é a inatividade.

Então é sim importante que o movimento seja parte integral do dia da pessoa, independente da idade e dos sintomas, pois apenas o movimento tem poder curativo e reabilitador a longo prazo, então mesmo que a falta de movimento seja realidade crônica de sua vida, ela não é irreversível. O corpo sempre é capaz de se corrigir e melhorar.

Exercício ou Movimento?

Lendo todo esse artigo, por diversos momentos você pode notar que eu utilizei muito mais a palavra exercício do que movimento, por quê?

No dicionário vamos ter a explicação que o exercício é uma tarefa específica feita com o intuito de melhorar ou treinar alguma habilidade pontual, já movimento é algo mais amplo, que engloba toda e qualquer atividade física do corpo.

Quando estamos trabalhando no computador estamos nos movendo, quando estamos caminhando estamos nos movendo, quando brincamos com um sobrinho estamos nos movendo, porém nesses cenários apenas uma ou outra parte do corpo está se movendo, deixando outras articulações sem tanta atenção.

Nossas rotinas nos colocam sentados horas por dia, diminuindo nossa mobilidade de quadril e auxiliando em problemas de coluna, e categoricamente não vai existir um exercício de 2 horas por semana que consiga competir contra 40 horas sentado por dia.

Então, quando eu digo movimento eu quero falar sobre todos os movimentos que eu e você fazemos com nosso corpo no dia a dia, o quanto sentamos, o quanto deitamos e o como fazemos isso, pois estamos em uma epidemia, uma de pouco movimento, e parece que quase ninguém consegue reconhecer isso.

Toda vez que você for trabalhar, olhe para sua cadeira e pense se é possível cruzar as pernas ao sentar nela, se consegue sentar de lado, se consegue ficar ajoelhado nela, todos movimentos que nosso corpo é capaz de fazer e acaba se mantendo mais saudável ao tê-los em seu repertório.  

Assinatura William Osterkamp Reabilitando Limites

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O corpo humano não se acostuma em ficar parado. Independentemente de sua limitação, nosso corpo é feito para se movimentar. Tornar isso possível é o trabalho da Osterkamp.

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