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O que a evolução nos deu que abandonamos?

Vou resumir a resposta: o movimento. Podem parar de ler o resto do texto, tudo que vou falar sobre, é exatamente esse tópico. Como o movimento que nosso corpo é capaz de realizar, é o resultado da evolução da espécie humana como dominante no planeta. E o quanto isso é importante para termos uma vida moderna sem dor.

Então, se você se move bastante, não tem nenhuma dor em nenhuma articulação, nunca se machucou ou se lesionou e não tem um trabalho de altas horas que lhe deixa preso à uma única posição, então esse blog de hoje não vai lhe trazer novidades.

Agora para os outros 99% das pessoas que ainda estão lendo, vamos falar de movimento.

A vantagem real do ser humano

Embora muito se diga sobre como o ser humano se tornou a espécie principal do planeta graças a sua inteligência superior, isso acaba dando ênfase à sua inteligência, e ignorando o que foi que deu então a chance do ser humano se tornar mais inteligente.

Afinal de contas, não foi de um dia para o outro, ou de uma geração para a outra, e ainda assim o ser humano teve que se manter vivo caçando, comendo e fugindo de predadores antes que obtivesse a inteligência para domar o fogo, criar carros, e fazer o animal vir até ele com a invenção da tele-entrega (a negação do movimento é tamanha, que queremos que o boi venha até nós hoje em dia).

O que tornou o ser humano dominante, foi que antes de ele ser inteligente, ele também possuía um corpo adaptativo, capaz de utilizar as mãos livres com a transferência para um animal bípede, e a capacidade de correr longas distâncias pela capacidade de suar, algo que é uma característica exclusiva de mamíferos, e que torna o trabalho de resistência possível para os animais, sem o risco de superaquecer o corpo.

O ser humano era um animal capaz de utilizar suas características únicas se permitindo sobreviver por milhares de anos, e então evoluir sua inteligência, que aproveitou seu corpo e inventou ferramentas, como a lança, o carro e claro o telefone para pedir a tele-entrega.

Dessa maneira mudando o perfil do trabalho, que é a bênção e a maldição do mundo moderno.

É o trabalho tão ruim assim?

De novo, sendo rápido, sim, é ruim sim. Acredito que seja preciso explicar porque o trabalho é algo que abomino tanto, (não por preguiça, afinal falo da experiência rotineira de semanas de 50 à 60 horas de trabalho), o problema do trabalho é que ele é burro, e simplista, no que diz respeito ao corpo humano.

A evolução humana como já é sabido, veio de uma soma de fatores evolutivos agregados, nossa capacidade de suar nos permitiu correr grandes distâncias junto com uma postura ereta que dependia dos glúteos e liberou nossas mãos, que se somando com a inteligência de fazer ferramentas aos braços curtos e longas pernas (característica que nenhum outro primata apresenta como o ser humano) pudéssemos lançar objetos à grandes distancias. O ser humano utilizava sua resistência física correndo, sua inteligência construindo ferramentas, sua visão e olfato analisando padrões de movimentação e localização de suas presas, sua coluna flexível e suas mãos lhe permitindo lançar objetos e até mesmo lanças com enorme distância e precisão, isso era seu trabalho.

Quanto salto é salto demais?

Essa discussão já é mais recente e ainda apresenta muita controvérsia, mas o que todos podem concordar é que um pé que vive em uma posição específica sem mobilidade completa, irá perder seus movimentos que não utiliza. E a grande maioria dos calçados tem salto hoje em dia, principalmente tênis de corrida, que apresentam em torno de 2 ou 4cm de diferença de altura com a ponta dos tênis, lhe tirando da posição neutra e modificando o comprimento natural de repouso dos tendões.

Se sua comida estava alta? Escalava. Baixa? Descia. Na água? Nadava. Com sua adaptabilidade e inteligência, alimento para o ser humano não faltava. Seu trabalho o obrigava a se mexer e ser dinâmico.

Esse era então seu trabalho, se adaptar e se alimentar.

Hoje em dia, o trabalho depende de pouquíssimas capacidades humanas. Não é a norma que você utilize seu intelecto de forma criativa, somando sua habilidade de correr e escalar. Além de que existe uma grande tendência social e cultural de que quanto mais utiliza seu corpo para seu trabalho, menos seu trabalho vale. Valorizamos o trabalho mental, e ignoramos o físico, sendo que um não existiria sem o outro

Se você corre para trabalhar, você é um lixeiro, se você escala ou sobe alturas, talvez trabalhe em construções ou limpe janelas, seu trabalho só é relevante se não usa o corpo. E como isso nos deixa?

Fracos, rígidos, doídos, e no final das contas, burros!

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Se nossa capacidade é adaptar nosso corpo e mente para superarmos nossos desafios, como foi no momento anterior a civilização, se atualmente meu corpo não pode ser utilizado como deveria, devo depender apenas da minha mente para viver. Eventualmente a tele-entrega deixa de ser luxo, e se torna necessidade, pois não consigo mais ir na rua e comprar comida, meu corpo fraco e dolorido não me permite mais.

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Como mudar então?

Não há dúvidas de que uma rotina que não move o corpo será ruim para sua saúde. Além disso, é importante compreender que o mal feito ao corpo não pode ser desfeito com exercícios.

Ao tomar um copo de veneno todo o dia, pensar que beber o antídoto no mesmo dia seria uma solução suficiente pode ser no final das contas a maior mentira que contamos a nós mesmos na vida moderna.
Trabalho 30-40 horas por semana na mesma posição, mas como eu me exercito por 6 horas por semana estou bem.

É radical eu dizer isso, mas quero fazer parte da mentalidade de que não adianta mais insistirmos em reduzir o dano que fazemos ao nosso corpo, quando não tocamos nos pontos que o machucam.
Nosso sedentarismo nato, nossa preguiça de se mexer, nossas tendências de associar descanso em um sofá como recompensa, nosso trabalho de imobilidade, e nossos próprios móveis e cadeiras, feitos para sentar e se manter sentado pelo maior tempo possível. Saindo de uma tela do computador, e indo para uma tela de televisão, quando a inatividade se torna desconfortável, se medica, para que o corpo não doa, quando os remédios já são rotina, o conserto é mais demorado.

Pontualmente, o que podemos fazer?

Mudar nossa ideia de trabalho em primeiro lugar. As salas de aula começam como os principais causadores desse problemas, construídas com o intuito de ensinarem as pessoas a obedecerem, trabalharem em uma mesma posição por horas e realizar tarefas intelectuais de maneira estática, o que temos que entender de primeira maneira é que a inteligência raramente está associada com um corpo estático, somos animais de movimento, então o movimento, a mudança de visão, ou no mínimo uma redução da morosidade do corpo humano deveria ser feita para que nossos problemas reduzam.

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Como mudar?

Quando se reduz uma ideia ao seu mínimo valor, fica mais fácil entender o que ela precisa mesmo para funcionar. Se seu trabalho é intelectual, ele pode ser feito em qualquer lugar que você possa pensar, seja correndo, nadando ou sim, sentado em um sofá. Se seu trabalho é técnico, a chance de poder sair da frente de seu computador é menor, mas não significa que deverá se portar como uma estátua, tal visão já está mudando e muito, nos últimos anos. Como eu aponto no vídeo, a ideia de ficar sentado da mesma maneira é simplesmente estúpida, devemos nos mover, e garantir diferentes maneiras de que nosso corpo possa se expressar.

É preciso reconhecer o problema, e a partir daí entender que precisamos mudá-lo.

Assinatura William Osterkamp Reabilitando Limites

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Sobre Nós

O corpo humano não se acostuma em ficar parado. Independentemente de sua limitação, nosso corpo é feito para se movimentar. Tornar isso possível é o trabalho da Osterkamp.

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