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Os homens e mulheres de Kalenjin, e porque eu não deveria competir com os outros?

Quando se fala em maratona de alto nível, se imagina o físico do atleta quase que imediatamente, é uma pessoa de altura média, pernas longas, magro, canelas finas, e se pensarmos mais fundo ainda tentamos adivinhar até seu país de origem, Quênia, na maioria das vezes.

Mas porque isso? Sendo mais específico, se fôssemos para o Quênia agora mesmo, e procurássemos por esses super corredores, a população local nos diria para procurarmos o povo da tribo de Kalenjin, que eles sim seriam as pessoas do formato anatômico que estamos tão acostumados a vermos ganhar medalhas e maratonas por todo o mundo.

Durante o processo evolutivo e migratório do ser humano, passamos por diversos territórios com alimentos, climas, presas e predadores diferentes que favoreceram que nós como espécie nos adaptássemos ao local em que estávamos, efeito visível nas mais diversas espécies de animais. Porém, como atualmente podemos nos deslocar livremente pelo planeta, essas vantagens não são mais tão necessárias ou aparentes em nosso dia a dia, exceto no esporte.

Por ser o principal ramo aonde nossos corpos são diariamente comparados e testados via variáveis de força, resistência e potência, é no esporte que conseguimos notar como cada indivíduo é diferente, e como possui capacidades geneticamente diferentes. Isso se tornou uma verdade tão assegurada que diversos treinadores já buscam os perfis físicos mais aptos para seus próprios esportes, pois essa herança genética é um grande diferencial nos resultados.

Toda essa informação é extremamente importante nos esportes de alto nível, principalmente nos níveis profissionais e daqueles que buscam se tornar um. Porém é simplesmente inútil no âmbito amador, quando o objetivo é apenas realizar uma atividade que lhe dá prazer, e que lhe traz felicidade.

É comum ver pessoas que buscam um hobby, e após se empolgarem e melhorarem muito sua capacidade, começam a tentar bater recordes, objetivos, e melhorar seus tempos, seus escores, e seu desempenho. Embora tal pensamento seja válido, é sempre necessário lembrar que existe uma limitação física do que a estrutura genética de cada um permite. Se colocássemos um desses homens de Kalenjin para tentar levantamento de peso olímpico, é bem provável que seria um grande fracasso se fosse competir profissionalmente.

Homem correndo na praia Osterkamp homens e mulheres de Kalenjin

Mas é aí que entra o diferencial, quem faz por hobby, tem que entender que faz porque gosta, e porque lhe faz bem. Todos iriam dissuadir um homem de Kalenjin se ele quisesse bater recordes de levantamento de peso em uma carreira profissional, mas não haveria nada de errado se esse fosse o seu hobby. Compreendendo que ele sempre deveria respeitar seus limites e calcular suas vitórias dentro de sua capacidade, e não do que os outros conseguiriam fazer.

Isso se aplica a todos os esportes, corredores buscam um resultado cada vez melhor, e conseguem com treinamento, alimentação, porém devem sempre lembrar de respeitar seus próprios limites. Uma busca incessante por melhores resultados torna o hobby um trabalho, e não é esta a intenção inicial de ninguém.

Assinatura William Osterkamp Reabilitando Limites

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O corpo humano não se acostuma em ficar parado. Independentemente de sua limitação, nosso corpo é feito para se movimentar. Tornar isso possível é o trabalho da Osterkamp.

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