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A evolução da sociedade e a perda do físico humano

O ser humano atual é uma evolução constante, física e mentalmente, de capacidades de movimentos e de capacidades cognitivas. A jornada que nos trouxe até aqui vem de milhares de anos atrás, onde podemos ir até o mais antigo e ainda assim achar um ser humano fisicamente igual ao de hoje em dia, igual pelo menos em potencial. Essa jornada foi de uma de menor complexidade para maior complexidade. Temos serviços de saúde, entretenimento, diversos produtos de variadas cores e qualidades, além de alimentos de todos os cantos do planeta à nossa disposição. Essas modificações que inerentemente buscamos de nossa vida e de nossa sociedade tiveram grande impacto sobre nossos conhecimentos e de segunda ordem, sobre nossos corpos. Mas então, como éramos, e como mudamos?

No início, os especialistas tinham desvantagens.

Inicialmente antes das grandes revoluções de conhecimento, antes do ser humano ter o conhecimento da agricultura, as especialidades de conhecimento eram raras, todos deviam trabalhar para seu próprio sustento e essa necessidade global tinha um efeito sobre o corpo, todos deveriam ser aptos a correr, saltar, caçar, serem ágeis, e fortes, trabalhando o seu corpo em todas as suas amplitudes. Se especializar em uma característica não era benéfico pois iria abrir mão de algo que poderia ser de valia para sua sobrevivência, da mesma maneira o conhecimento era assim, reconhecer tipos de animais como presas ou predadores, reconhecer alimentos seguros ou outros venenosos, qualquer conhecimento que não considerasse importante poderia causar grande risco a si, ser especialista no início da raça humana poderia ser fatal.

Então, a civilização humana evoluiu!

Porém, isso foi antes da civilização humana evoluir, e foi com o advento da agricultura que gerar comida deixou de ser um esforço diário para a própria alimentação e se tornou uma tarefa que com alguns indivíduos focando sua produção, uma pequena comunidade poderia se formar com alimentação de sobra e poder então se especializar em outras tarefas que poderiam ser benéficas a pequena sociedade que se formava. Foi a produção de alimento em excesso que permitiu que os humanos buscassem fazer outras coisas que poderiam melhorar a vida do grupo como um todo, e com as especializações surgindo, muitos conhecimentos puderam ser abandonados por certos indivíduos.

E continuou evoluindo…

Se haviam alguns que poderia trabalhar na terra para garantir alimentos, outros poderiam se preocupar em caçar por peles, e produzir roupas, para aquecer o corpo, e tornar mais fácil viver em condições frias. Poderia se estudar as estrelas e conhecer mapas de direcionamento para percorrer grandes distâncias sem o risco de se perder, e podendo criar os primeiros mapas que determinariam os desafios dos locais que habitavam. Todos esses processos iniciais parecem recentes, porém tem aproximadamente mais de 30 mil anos. As civilizações humanas mais antigas surgiram entre 12 e 15 mil anos atrás, inicialmente se expandindo graças a agricultura e criando profissões novas e habilitando novos indivíduos a fazerem coisas diferentes e se somarem a sociedade como membros criativos.

E o corpo, evoluiu junto?

Embora isso tenha começado acontecer à 15 mil anos, nossa sociedade atual segue a mesma estrutura, houve uma evolução de conhecimento, porém não houve uma mudança do paradigma, cada membro da sociedade se torna responsável por fazer serviços que se unem ao todo para ser uma parte de um grande quebra-cabeças. Do ponto de vista de sociedade isso é um sistema fantástico, pois cada um faz aquilo que é melhor para si e participa em somar a sociedade, porém, embora nosso cérebro tenha se adaptado e seja capaz de produzir conhecimento e trabalho dessa maneira, nosso corpo não é tão satisfeito com tão mudança de paradigma.

O humano que vivia à 20 ou 30 mil anos atrás seria confundido com um atleta nos períodos atuais, poderia não ser o melhor em qualquer atividade que fizesse, porém poderia fazer com tranquilidade e experiência, pois era exigido de quase todos que fossem capazes de “se virar” na natureza, sendo grandes corredores, nadadores, capazes de escalar tanto árvores quando colinas, e poderiam ter a capacidade de se agachar e ajoelhar como uma posição confortável. Seus corpos possuíam movimentos mais livres no geral, seus músculos eram utilizados com maior frequência, e importante-mente, não possuíam as deformidades que a sociedade atual causou, causa e continuará causando por alguns anos.

Vamos comparar alguns tópicos bem interessantes:

Seus pés quase sempre livres para contato no solo eram mais capazes de se mover sem dor, seus joelhos e quadris mais fortes e estáveis lhes davam equilíbrio em terrenos instáveis, pois todo o solo era instável, não existiam calçadas, suas colunas com certeza doíam menos pois assentos não existiam e passar horas sentados na mesma posição seria considerado por eles ou um castigo ou talvez uma piada de mal gosto.

O humano natural era fisicamente mais evoluído do que somos atualmente, pois não eram regidos por regras sociais que vão de contra as verdadeiras necessidades e potências de nossas capacidades físicas. Roupas embora foram inventadas muito no passado, suas necessidades eram primeiro fisiológicas, não poderiam usar uma roupa que lhes fosse restringir seus movimentos, pois o movimento era a fonte de sua sobrevivência, o movimento de um corpo livre e saudável lhes deu tudo que eles tinham, e em evolução nos trouxe nossa sociedade.

Seria estupidez abrir mão de algo que era tão importante.

Vivemos hoje em uma sociedade que tenta se conectar com sua mente e esquece que o corpo faz parte desse mecanismo, é necessário que a evolução da sociedade se mantenha sem abrir mão do que nosso corpo nos deu e nos propiciou até o momento, e provavelmente por mais à frente ainda. É um desafio constante tentar entender o que nosso corpo precisa, quais avanços da sociedade nos ajudam, e quais estamos devidamente enganados sobre seus efeitos positivos, como já comentado antes, calçados, cadeiras e vasos sanitários.

O que fez o ser humano uma das criaturas mais capazes e mais adaptativas ao seu meio?

A capacidade cognitiva de utilizar seu corpo e suas potências de diversas maneiras que nos colocou a vanguarda dos predadores, e com capacidade de evolução constante. Então, para continuarmos evoluindo, com certeza temos de aprender a reconectar com os movimentos que nos tornaram em primeiro lugar, uma espécie de grande potencial.

Assinatura William Osterkamp Reabilitando Limites

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O corpo humano não se acostuma em ficar parado. Independentemente de sua limitação, nosso corpo é feito para se movimentar. Tornar isso possível é o trabalho da Osterkamp.

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