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Porque a saúde muda sempre de ideia?

O ovo faz mal, mas agora faz bem! Não se pode ficar sem comer, mas jejum pode ser saudável! Vamos operar sua coluna, porém, a cirurgia não é mais indicada no seu caso! Alongamento é essencial antes e depois do exercício, e então passou a ser ideal só depois do exercício, de repente somente antes, e agora todas opções são possíveis. Essas mudanças de conhecimento foram todas reais dentro de suas áreas, e ocorreram em um período relativamente curto de tempo. Porque essas mudanças tão bruscas e agressivas? Devemos confiar nas pesquisas, sim ou não?

Pesquisas, prática e o Conhecimento

Todo o atual conhecimento sobre saúde, vem de pesquisas científicas ou de um conhecimento novo gerado que tem seu estudo focado em analisar outra opção para um tratamento já existente. Temos ainda situações onde uma ação diferente sendo feita na prática se torna recorrente o suficiente para ser relevante a sua pesquisa, com o intuito de verificar se pode ou não somar na prática de todos. Então se nosso conhecimento é avaliado por pesquisas, porque elas mudam de opinião com tanta frequência? Porque fazer pesquisa é um trabalho bem difícil, e nem sempre obter a resposta para uma pergunta quer dizer que você tem a resposta certa, ou que você fez a pergunta certa.

O ovo como exemplo

Por exemplo: por anos o ovo foi tido como correlacionado com altos níveis de colesterol, pois pesquisas que acompanharam o consumo de ovos por anos demonstraram essa diferença. Depois de algum tempo, perceberam que uma variável relevante havia sido ignorada, a maneira de preparo dos ovos era frito. Para se chegar a uma mudança nesta informação, foi necessário acompanhar um grande grupo de pessoas que comiam ovos com frequência sem fritar, por um período de 20 anos ou mais. Só então puderam ter certeza de que o impacto de ovos na alimentação não era tão grave no colesterol como previamente imaginado.

Cirurgia mais realizada no mundo já não tem mais eficácia

Um mesmo cenário aconteceu com uma das cirurgias ortopédicas mais feitas no mundo, a artrodese de coluna. Essa cirurgia se baseia no cirurgião colocar nas vértebras acima e abaixo de uma hérnia, parafusos para segurar todas as vértebras juntas, impossibilitando o movimento da região e assim impedindo que a pessoa voltasse a ter dor. Essa técnica foi inventada em 1914 e ainda hoje possui aplicações em casos de escoliose ou até mesmo fratura da coluna. Porém um artigo recente acompanhou pacientes de hérnia após essa cirurgia e constatou que ela não exerce nenhum efeito positivo na dor e na vida desses pacientes, sendo que em alguns casos, notou-se piora depois da cirurgia. O artigo que desaprovou a eficácia dessa cirurgia foi um estudo longitudinal, é o nome de um estudo que fica acompanhando pessoas que fizeram alguma técnica por um longo período de tempo, para ter certeza do impacto a longo prazo, e esse estudo avaliou mais de 20 mil pessoas por 15 anos, só depois de todo esse tempo puderam dizer com certeza que a técnica cirúrgica tinha que ser abandonada.

Novos conhecimentos acontecem, devemos estar atentos

Mas se a técnica cirúrgica não era boa, porque levou tanto tempo para ser desaprovada? E como ela se tornou uma técnica sem então grandes evidências? Porque a área de criação de conhecimento na área da saúde é a área clínica, é no dia a dia de diversos profissionais de saúde que avaliam casos e cenários que eventualmente se encontra uma nova visão para algo que não tínhamos percebido antes, e avaliamos a possibilidade em pequenos âmbitos com relativo sucesso, dessa maneira uma ideia vira uma técnica que depois de um tempo já possui um grupo de seguidores e até cursos sendo distribuídos, mesmo sem ter nenhum artigo relevante comprovando sua eficácia. E porque uma técnica pode ser desenvolvida dessa maneira com pouca comprovação científica? Porque comprovar é algo muito difícil, e é normal que dados mistos confundam a resposta, algo que muito mascarou os artigos no caso da artrodese foi o fato de que a grande maioria dos pacientes faria fisioterapia após a cirurgia, e então confundia a resposta de melhora do paciente, o que é uma variável de confusão.

Um pouco mais de saúde, ciência e pesquisa

Fora as variáveis, existe o interesse da área científica, um interesse muito maior da ciência em provar coisas novas que possam ter um impacto, do que realmente desaprovar o que pode ser errado ou até mesmo desnecessário, e raramente alguém vai ir atrás de desaprovar uma técnica clássica estabelecida. A produção de conhecimento novo é muito restrita por influências de estruturas de ensino, pesquisadores e claro a verba. Temos que entender que a área da saúde é ainda nova se analisarmos sua necessidade em se basear em evidências nesse período atual, mas a saúde evoluiu por muito tempo na suposição e em raciocínio lógico, para depois de um tempo decidir entender o porquê de algo funcionar no corpo.

A pesquisa é algo indispensável como uma parte da saúde hoje em dia, mas ela ainda possui características que podem diminuir sua capacidade de acertar sempre a resposta, e ainda está muito propensa a ser analisada de maneira errada. É importante não se desesperar com qualquer manchete assustadora, sempre pode ter muito mais por trás daquela manchete.

Assinatura William Osterkamp Reabilitando Limites

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O corpo humano não se acostuma em ficar parado. Independentemente de sua limitação, nosso corpo é feito para se movimentar. Tornar isso possível é o trabalho da Osterkamp.

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