Osterkamp

Porque não consigo ficar sem dores? Quando uma coisa melhora, outra estraga.

Uma queixa bem comum que escuto nos períodos iniciais de tratamento de diversos quadros dolorosos, e costumo ouvir isso com frequência, embora seja um efeito muito mais associado com dores crônicas, é o paciente entrar com uma dor bem específica em uma articulação ou região muscular, e durante o tratamento começar a se queixar de outro ponto completamente diferente, será que a dor andou?

É perceptível ver como a dor, embora seja algo de difícil convivência, é escanteada até um momento que se torne insuportável. Dores de lombar, enxaquecas, joelhos e outras diversas, são metaforicamente “empurradas com a barriga” até um momento que uma ligação urgente é feita por um paciente que não aguenta mais. Conforme o tratamento progride, outras queixas distintas começam a surgir, mas o que está acontecendo na verdade é algo bem inteligente, que torna essa convivência com as dores bem mais suportável.

Nosso cérebro é nosso principal aliado em nosso dia a dia, regulando bilhões de informações por segundo de uma maneira maestral, filtrando tudo o que recebemos e apenas nos informando quando estritamente necessário. Após estar sentado por algumas horas você vai perceber que seu glúteo está cansado de ficar sentado, e você começou a sentir o sofá, que curiosamente é o mesmo a horas sem mudança. Se o sofá não mudou e nem você porque essa informação nova?

Entre a respiração, a posição de nossos membros, visão, olfato, paladar, postura, equilíbrio entre outros mais de 30 sentidos. Nosso cérebro recebe essas informações e quando elas se encontram em parâmetros aceitáveis, nós mantemos nosso dia a dia sem interrupções, apenas sendo avisados quando algo chegou a um limite. É intrigante imaginar como seria extremamente caótico compreender nosso corpo se a cada momento sentíssemos tudo que ele é capaz de sentir ao mesmo tempo.

A dor, que nada mais é do que um dos mais de 30 sentidos, é um importantíssimo sinalizador de algo errado. Ao botarmos a mão no fogo, ela que nos avisa o momento aonde uma lesão pode ocorrer, ao cortarmos o dedo a resposta de retirada é tão rápida para muitas vezes evitarmos um corte maior.

Mas como ela funciona no evento de uma dor crônica? Somos informados de que temos uma lesão e deveríamos modificar algo, seja rotina, postura, nível de exercício ou até mesmo alimentação? Muitas vezes ignoramos, e conforme o tempo passa acumulamos diversas dores distintas, que nosso cérebro está acompanhando e eventualmente nos informando para impedir que passemos do limite.

Porém, quando temos por exemplo uma crise de dor lombar, aonde estamos com dificuldade de locomoção, o nosso ombro que eventualmente dói, deixa de ser prioridade. Nossa rotina vai ser prejudicada por tal dor lombar, e colocá-la como foco para uma resolução rápida e retorno para nossas atividades normais, é o que nosso cérebro prioriza, nos informando a importância dela acima de todas as outras possíveis dores.

Dor nas costas senhor idoso

Nosso cérebro decide que devemos lidar com uma dor por vez para que consigamos seguir com nossas rotinas da melhor maneira possível, porém assim que resolvemos essa crise, qual a atitude do cérebro? Avisar de outra dor importante, praticamente em uma sequência de prioridades, uma dor na lombar dá passagem para uma dor na escápula, seguida por uma dor na cervical e podendo ser seguida por uma dor no joelho. Cada uma delas progressivamente menos impactante que a anterior, mas igualmente importante para uma vida saudável.

Por isso uma avaliação completa é importante, pois além do corpo priorizar as dores, elas podem estar interligadas, tornando um tratamento completo muito mais eficaz na resolução dos problemas.

Assinatura William Osterkamp Reabilitando Limites

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O corpo humano não se acostuma em ficar parado. Independentemente de sua limitação, nosso corpo é feito para se movimentar. Tornar isso possível é o trabalho da Osterkamp.

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