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A importância de saber ouvir o próprio corpo

A voz mais alta que podemos ouvir é da nossa própria mente, onde tudo começa e termina sempre é em nosso próprio corpo, nossa mais básica ferramenta de interagir com o mundo. Dizem que os melhores marceneiros, carpinteiros (entre outros artesãos) são aqueles que melhor conhecem suas ferramentas, sabendo qual usar, como e quando. Se levarmos essa visão para a saúde, surge uma verdade que não pode ser negada, aquele que entende seu corpo e mente (emoções e sensações) com certeza tem mais controle sobre sua saúde.

Saindo então dá introdução bonita e poética:

O que eu quero dizer, e porque eu acho isso importante?

Nosso corpo é uma máquina complexa, se compondo de milhões de terminações nervosas todas mandando informações para nosso cérebro, de todas as partes do corpo ao mesmo tempo, informando sobre dor, frio ou calor, umidade, além de nos manter informado sobre fome, sede, sono, e algumas emoções para adicionar o tempero, tristeza, felicidade, raiva, excitação, tudo ao mesmo tempo.

Uma tarefa que não consegue ser gerenciada sem alguns macetes do cérebro.

Imagine que você está dormindo e começa a tocar o alarme do celular, e o telefone da sala começa a tocar, e a luz do banheiro fica acendendo e apagando, no fundo você escuta a descarga do banheiro, além da campainha da porta, o aviso do micro-ondas e a máquina de lavar roupa apitando o fim do ciclo. Dá um nervoso só de imaginar, agora imagina isso em mil apartamentos ao mesmo tempo, e você é o único responsável, o síndico do prédio inteiro, como não enlouquecer?

Matando o serviço.

Rapidamente pensamos: a luz do banheiro eu ignoro, o micro-ondas também, vou correr até a porta com o telefone na mão assim que eu olhar que a descarga não entupiu e vou seguindo conforme for indo.

Basicamente nosso cérebro, voluntariamente vai ignorar alguns “alarmes” por serem de baixa prioridade no momento, por exemplo, uma meia apertada incomoda, mas se tiver uma crise de dor lombar durante o dia as meias não vão ser notadas.

É um sistema inteligente de prioridade importante para que não nos inunde de estímulos e nos permita prestar atenção no mais importante, inegável de sua importância, o problema é que um estímulo constantemente ignorado, se torna invisível depois de um tempo.

Odiei a luz nova que eu coloquei na minha sala, mas daqui a pouco eu me acostumo.

Todo estímulo desconfortável que for invariavelmente ignorado pode com o tempo se tornar a nova realidade do seu corpo, aí que surge o perigo, cada parte do corpo que perdeu a força, a confiança, o equilíbrio, e nós aceitamos; quando nosso corpo nos decepcionou em algum momento e nós dissemos: Ok, agora eu sou assim.

Mas isso vai além do que nós podemos estar perdendo, mas também aquilo que nós não havíamos nem notado ainda.

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Como por exemplo nessa simples brincadeira de criança, parece mágica, mas nosso cotovelo é conectado com nosso ombro, uma frase quase burra de tão óbvia, mas uma frase que entendemos na leitura, no significado teórico, mas não na sensação do braço de que aquilo que acontece no ombro afeta o cotovelo e vice versa, aquilo que meu punho faz pode prejudicar meu ombro e até pescoço e de novo vice-versa.

É necessário entender nosso corpo em suas sensações, tentando entender o que uma dor quer nos dizer, de onde ela vem e porquê e quando ela dói.

Mas tem mais coisa além disso né?

Sempre tem.

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Aqui mostramos algo muito simples, força não é nada sem jeito, eu não consigo levantar minha aluna quando ela bota uma perna atrás, impossível. Como eu explico no vídeo, força é necessária para mexer nossas alavancas, mas se essas alavancas não estão sendo bem utilizadas, não existe força suficiente para mover o que eu quero.

O que eu quero dizer com isso dessa vez?

Saber mexer meu corpo, saber como meu corpo consegue fazer força de uma maneira mais adequada, e entender que possuímos instintos que defendem movimentos mais naturais, que junto com nosso cérebro tentam nos lembrar quando estamos nos movendo pouco ou da maneira errada.

Uma criança aprende a engatinhar, caminhar e correr sozinha e sem manual, tudo que nós fizermos para mudar esse processo natural é uma burrada, pois infelizmente (ou felizmente) não somos tão inteligentes quanto nosso cérebro, por isso é importante saber respeitar as informações que nosso corpo nos manda sobre o movimento.

Mas e o cérebro? Só escuta?

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IO cérebro e todo o sistema neurológico tem como função se meter no meio do que estamos fazendo para tentar nos proteger, e essas respostas são evoluções que se mostraram importantes na sobrevivência humana pois se mantiveram por milhões de anos.

Como podemos ver no vídeo, eu forcei uma resposta neurológica em meu oponente na queda de braço, ele estava fazendo força contra mim, mas eu entrei em contato direto com o sistema neurológico dele e nessa conversa, eu joguei o corpo dele contra ele mesmo.

Apesar desses reflexos raramente atrapalharem o movimento durante o dia, é no mínimo curioso que muitas vezes não sabemos que o corpo tem essas respostas e como ou onde elas acontecem.

Eu digo com frequência que toda a fisioterapia é neurológica, mas além disso todo o movimento é neurológico.

Entender nossa saúde depende de entender que nosso cérebro não trabalha pra gente, mas sim com a gente, e como bons colegas de serviço nem sempre concordam, o cérebro não seria diferente.

Então recomendo as dicas de uma boa parceira de trabalho para a saúde do cérebro e sua. Deixe ele descansar, não sobrecarregue o coitado, não o deixe estressado que ele vai fazer a mesma coisa contigo, e por favor, tente mantê-lo bem alimentado.

Assinatura William Osterkamp Reabilitando Limites

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O corpo humano não se acostuma em ficar parado. Independentemente de sua limitação, nosso corpo é feito para se movimentar. Tornar isso possível é o trabalho da Osterkamp.

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